Ivanilde Andrade, filha de Milton Maria de Andrade, relatou à TV Globo que pagou mais de R$ 700 pela exumação. Parentes foram surpreendidos ao encontrarem outro corpo na sepultura onde deveria estar Milton
g1
SÃO PAULO — Uma família da Vila Esperança, na Zona Leste de São Paulo, registrou um boletim de ocorrência após o corpo de um parente não ser encontrado no Cemitério da Vila Formosa durante uma exumação para transferência ao ossário.
Ivanilde Andrade, filha de Milton Maria de Andrade, relatou à TV Globo que pagou mais de R$ 700 pelo serviço. Milton morreu em julho de 2018, aos 82 anos, vítima de parada cardíaca. Ele foi policial militar e atuou na Rota, Cavalaria e Corpo de Bombeiros, sendo homenageado por salvar uma pessoa em um incêndio no edifício Tatuapé.
A primeira tentativa de exumação ocorreu três anos após a morte, mas foi adiada devido à conservação do corpo.
No dia 22 de março deste ano, a família retornou ao cemitério para uma nova tentativa, mas foi surpreendida ao encontrar outro corpo, de uma mulher, na sepultura onde deveria estar Milton.

“A lápide era a do meu pai com uma foto dele, o número tudo certinho, e nada foi alterado. Só que devido à troca de concessão do cemitério, nos informaram há um tempo que mudaria o número do terreno. Nos passaram esse novo número e foi esse que nós informamos lá”, contou Ivanilde.
“No sistema tudo batia certinho com os dados do meu pai, mas quando chegou o dia da exumação e que foram fazer, no caso não era o meu pai. Abriram a sepultura ao lado, tanto do lado direito como do lado esquerdo, pois poderia ter ocorrido algum erro. Abriram as duas e não era”, disse.
A família reagendou a exumação para o dia 29 de março, mas, novamente, o corpo não foi encontrado.
“É uma humilhação muito grande. É muito vergonhoso. O meu pai que trabalhou a vida inteira, que deu a vida por muitas pessoas, ser tratado dessa forma como se ele não tivesse existido. A família sofre porque no caso para eles é só osso e dinheiro e para nós não. Para nós é uma história de uma vida. Ele era meu herói. Era meu melhor amigo um grande homem”, afirmou Ivanilde.
A SP Regula, órgão da prefeitura responsável pelos cemitérios concedidos, afirmou que investiga o caso e analisa o pedido de ressarcimento da taxa de exumação, com um prazo de resposta de 30 dias.
Já a concessionária Consolare, responsável pela administração do Cemitério da Vila Formosa, declarou que enviou todas as informações à SP Regula e que, desde que assumiu a gestão, não houve movimentação de sepulturas, apenas uma reorganização da nomenclatura.
A família registrou um boletim de ocorrência por ocultação de cadáver, e a Secretaria da Segurança Pública informou que o caso está sendo investigado.
Outros problemas no Cemitério da Vila Formosa
O desaparecimento do corpo de Milton não é o único problema registrado no Cemitério da Vila Formosa. Há pouco mais de duas semanas, o SP2 denunciou o estado de abandono do local, com mato alto e sujeira.
Desde que a concessão dos cemitérios municipais foi transferida para empresas privadas há dois anos, as reclamações se tornaram frequentes. Entre as principais queixas estão a falta de manutenção, cobranças abusivas, exumações irregulares, insegurança e falta de transparência na gestão.
A SP Regula informou que já aplicou mais de R$ 3 milhões em multas às concessionárias responsáveis pelos cemitérios devido a irregularidades.