Moradores denunciam histórico de prejuízos por recorrentes transbordamentos de córrego

Atualizado às 22:12


 

Enchentes racham casa no Aricanduva - Foto: Reprodução/TV Globo
Enchentes racham casa no Aricanduva – Foto: Reprodução/TV Globo

 

SÃO PAULO, 28 jan (G1) – As enchentes causadas pelo transbordamento do Córrego Tapera, no distrito do Aricanduva, Zona Leste de São Paulo, racharam uma casa. Moradores do bairro Vila Antonieta dizem que as inundações se tornaram frequentes nos últimos anos.

“Falaram que o muro não aguenta mais duas chuvas. Abriu um buraco embaixo porque a água deslocou o muro da casa”, disse a cozinheira Karime Salles. Uma parte do imóvel foi interditado pela Defesa Civil.

Os moradores do bairro “colecionam” vídeos da rua inundada à beira do córrego. “Perdi todas as minhas coisas – geladeira, mesa, roupas”, afirmou a dona de casa Alsira Zanutto.

Vizinhos dizem que as enchentes e as infiltrações se agravaram depois que novas construções foram erguidas às margens do Tapera, nos anos 2000. Moradores passaram a erguer muros de arrimo, que não seguraram a vazão do córrego.

“Quando começa a chover, a água que bate no muro vira uma cachoeira porque a água não tem escoamento lá fora”, disse a enfermeira Silvia Martins.

Segundo os moradores, a situação ficou pior depois da construção de uma loja atacadista. “Houve um estreitamento. Começou a encher essa rua, que nem enchia. Não tinha enchente, não existia isso aqui”, relatou a cabeleireira Regina Duarte de Almeida.

Para os moradores, a solução seria a canalização completa do córrego por completo. “Esperamos que canalizem esse riacho e que prestem uma assistência para gente. Só vêm nos visitar e não fazem nada”, comentou o aposentado Isaac Batista Ferreira.

Em nota, o gerente operacional do atacadista Calvo, Vitor Cesar, informou que a empresa foi autorizada há mais de 30 anos a construir uma galeria embaixo do estacionamento por onde passa o córrego, e que essa galeria é limpa e fiscalizada a cada 15 dias nessa época do ano.

A Prefeitura de São Paulo confirmou que a obra foi autorizada em 1996, mas disse não ter detalhes porque o processo é antigo e não foi localizado até a publicação dessa reportagem.