Márcio França (PSB) teve 48,25%. A vitória do tucano é a sétima do PSDB, que está no comando do estado há 24 anos

 

Doria vence e PSDB continua no comando do estado por mais 4 anos. Foto: Reprodução / TV Globo
Doria vence e PSDB continua no comando do estado por mais 4 anos. Foto: Reprodução / TV Globo

 

SÃO PAULO (G1) – O empresário e ex-prefeito da capital paulista João Doria (PSDB) foi eleito neste domingo (28) governador de São Paulo no segundo turno. O resultado só foi confirmado com 98,49% das urnas apuradas às 19h34. O tucano no total obteve 10.990.160 votos, o que corresponde a 51,75% dos votos válidos, contra 48,25% de Márcio França (PSB), que obteve 10.248.653 votos. Uma diferença de 741.507 votos, ou 3,5%.

Depois de 16 anos, a eleição para o governo de São Paulo foi para o segundo turno, a última vez foi em 2002, entre José Serra (PSDB) e Aloizio Mercadante (PT). A diferença entre Doria e França ficou em 3,52%.

“São Paulo vai liderar a nova política, progressista, desenvolvimentista, para gerar empregos, atrair capital externo, gerar recursos no agro, turismo, indústria, tecnologia e ciência.”

Doria falou também sobre o futuro do PSDB. “Respeito os líderes que ajudaram a fundar e construir o PSDB. Não vamos desrespeitar a história desses nomes. Temos que interpretar essa eleição com muita humildade. PSDB precisa sintonizar com o momento atual e o momento futuro do nosso país. Faremos isso sem ofender ninguém, sem atacar a história de ninguém.”

Márcio França

Em coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes, na Zona Sul, Márcio França (PSB) falou em respeito aos resultados e disse que ligou para João Doria, a quem desejou “toda sorte do mundo”.

“A gente sai frustrado porque não era o que a gente queria, mas tenho a compreensão de que eleição é assim: acaba uma, começa outra. Foi assim a minha vida toda. Eu já disputei, com essa, 17 eleições, de algum jeito, ou apoiando alguém, ou fazendo campanha pra mim mesmo. E em todas elas, saibam, na maioria eu ganhei, mas saio do mesmo jeito, com mais vontade se fazer política, de poder ajudar as pessoas”, declarou França.

A vitória do tucano é a sétima do PSDB, que está no comando do estado há 24 anos. Mario Covas foi o primeiro tucano a governar o estado. Ele interrompeu a gestão do à época PMDB, hoje MDB, que se manteve no Palácio dos Bandeirantes de 1983 a 1995.

O candidato tucano venceu na maior parte das cidades do interior do estado e França, na capital paulista.

Doria é eleito governador de São Paulo. Foto: Reprodução / TV Globo

 

Doria foi eleito após uma campanha marcada por acusações de seus adversários de que ele deixou a prefeitura da capital paulista antes de terminar o mandato. Doria saiu da prefeitura em abril, depois de 15 meses, para poder disputar a eleição para governador.

Aos, 60 anos, foi a primeira vez que o tucano disputou o cargo. Doria foi afilhado político do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) e foi eleito no primeiro turno em 2016 para a Prefeitura de São Paulo.

Os dois tucanos tiveram um mal estar depois de Doria anunciar apoio ao candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL) antes do primeiro turno das eleições.

No segundo turno, Doria chegou a ir até o Rio de Janeiro para tentar se encontrar com Bolsonaro, mas não foi recebido pelo candidato à presidência. Bolsonaro afirmou, após a tentativa de encontro, que Doria é oposição ao PT e que lhe desejava boa sorte.

Alckmin chegou a dizer que Doria o teria traído durante uma convenção nacional do partido em Brasília. Antes de o partido definir o nome que disputaria a presidência, Doria declarou que deveria ser o escolhido, passando por cima do ex-governador.

Prefeitos tucanos de cidades paulistas chegaram a declarar apoio ao candidato Márcio França (PSB) ao governo de São Paulo. Questionado sobre a atitude dos prefeitos, Doria afirmou: “Eu não vejo racha, eu vejo depuração. As esquerdas se unem, as esquerdas se aglutinam e se aglutinam em torno do Márcio França. E é bom que façam isso, porque temos um campo mais claro, de esquerda”.

O diretório municipal do PSDB em São Paulo expulsou Alberto Goldman, ex-governador, que declarou voto em Fernando Haddad (PT) para a presidência, e o secretário estadual de Governo, Saulo de Castro, e mais 15 filiados por infidelidade partidária. Eles recorreram às instâncias superiores do partido.