Parque Marisa foi fundado em 1973 e passou 15 anos como itinerante até se fixar em Itaquera. Empreendimento começou com dois brinquedos e atualmente conta com 21 atrações para crianças e adultos

Parque Marisa, visto do alto da roda gigante, fica na Zona Leste de São Paulo (Foto: Glauco Araújo/G1)
Parque Marisa, visto do alto da roda gigante, fica na Zona Leste de São Paulo (Foto: Glauco Araújo/G1)

O maior parque de diversões da Capital paulista, o Parque Marisa, resiste ao tempo e oferece atrações para nostálgicos na Zona Leste de São Paulo.

Em 1973, o jovem empreendedor Miguel Cerretti, de 20 anos, montou um parquinho itinerante com dois brinquedos. Ele já conhecia um pouco sobre a dinâmica desses espaços de lazer, pois seu pai era fornecedor de estatuetas para barracas de prendas de parques.

“Como sempre visitava parques com meu pai, ficava olhando as luzes e a música. Fiquei encantado com este negócio de parque”, brinca Cerretti, que está com 65 anos. “O Parque Marisa começou bem pequeno e era itinerante. Ficava 30 dias em cada lugar da Capital. Aos poucos adquiri outros brinquedos, como a roda gigante. Só em 1987 resolvi ficar fixo em Itaquera”, relembra.

Trem Fantasma é uma das atrações do Parque Marisa, em São Paulo (Foto: Glauco Araújo/G1)
Trem Fantasma é uma das atrações do Parque Marisa, em São Paulo (Foto: Glauco Araújo/G1)

O empresário só conseguiu comprar a montanha-russa no final dos anos 1990. “Procuramos nos informar sobre as novidades – diz o proprietário sobre o brinquedo novo, o Disco. É como um disco voador, que vai girando e subindo, como uma balança. Cabem 27 pessoas. É muito bonito”, revela.

Hoje, o parque possui 21 brinquedos, sendo 12 infantis e 9 adultos, além de jogos de bilhar americano, argolas, pescaria e tiro ao alvo. Alguns brinquedos têm 30 anos, mas estão bem cuidados, conforme constatou a reportagem. Os mais procurados pelas crianças ainda são o Carrossel e o carrinho de bate-bate, e os jovens e adultos não dispensam o Turbo Drop e o Barco Viking.

Existem regras para a utilização dos brinquedos, de acordo com idade, tamanho e restrições de saúde dos usuários. Entretanto, já ocorreram acidentes leves e um grave, segundo o proprietário. “Há dez anos uma criança morreu na Torre. Ela não caiu do brinquedo, mas pesava 90 kg e o funcionário errou ao permitir que ela utilizasse. O laudo apontou que houve um infarto”, relatou.

O nome do parque foi escolhido para homenagear a filha, que Miguel nunca teve. “Comprei o parque e fui registrá-lo na Junta Comercial. O funcionário pediu o nome fantasia. Minha mulher estava grávida e achávamos que seria uma menina. O nome seria Marisa. Acabou vindo um homem. E depois outro. Até hoje não veio a Marisa“, brincou.

Parque Marisa tem dois carrinhos bate-bate na Zona Leste de São Paulo (Foto: Glauco Araújo/G1)
Parque Marisa tem dois carrinhos bate-bate na Zona Leste de São Paulo (Foto: Glauco Araújo/G1)

Faturamento

A decisão de se manter em um único lugar, enxugando as despesas, foi determinante para consolidar o empreendimento e enfrentar a concorrência quando havia mais parques de rua, como o saudoso Playcenter.

“Percebi que o deslocamento não era vantajoso por conta do transporte e da manutenção”, conta Cerretti. “Hoje, a concorrência é com os parques de shopping center. Por isso precisamos manter nosso parque sempre arrumadinho, bonito, bem iluminado, limpo e seguro”, continua.

Outra estratégia que manteve o Parque Marisa vivo foi optar por restringir o funcionamento aos finais de semana e feriados, com entrada gratuita. A utilização dos brinquedos é realizada mediante aquisição de ingressos individuais, que custam R$ 5 cada, ou R$ 40 uma cartela com 10 ingressos.

Miguel Cerretti conta que o parque recebe bastante público. “Passa de 800 a 1 mil pessoas nos três dias de fim de semana. São cerca de 5 mil ingressos vendidos neste período”, diz o empresário, que fatura cerca de R$ 20 mil por mês, sem contar os gastos com o parque.

Além dos brinquedos, o Marisa tem ainda estacionamento, banheiros, fraldário e seguranças, mas o empresário explica que embora os gastos com água, energia e funcionários sejam altos, os maiores custos são com os frequentes ajustes nos brinquedos. “Tenho um engenheiro mecânico e um engenheiro elétrico que são fixos e trabalham de duas a três vezes por semana. Essa é minha maior despesa, cerca de R$ 6 mil por mês”, afirma.

Nos últimos anos, o movimento caiu, de acordo com Cerretti. “Graças a Deus não tenho prejuízo com o parque, mas a melhor época foi no início do Plano Real. E olha que naquela época tinha bastante parque. Nos últimos anos o movimento caiu e o pior momento foi 2016. 

Fonte: G1